turma da mônica

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  Tive a ideia de escrever isso aqui ao estudar sobre a peste negra, mais especificamente quando ouvi o relato histórico de que, na época da pandemia (ou epidemia, não sei o termo correto) o setor religioso da sociedade se posicionava contra o banho alegando - não sei qual palavra usar para ser certeiro - obscenidade e consequente pecado de quem se lavasse, por estar tocando em seu próprio corpo. Independentemente da falta de informação, cultura (tema discutível) e hábitos, é de se espantar com, além do posicionamento ilógico sobre a higiene pessoal, com a perversidade de quem teve essa ideia, especialmente partindo de religiosos. Inclusive, é oportuno registrar minha opinião sobre religião e a crença em deus; por que a maior parte das pessoas crê cegamente em algo que não pode ver, tocar, cientificamente sentir ou comprovar existência? o medo de ser punido pelos pecados ou não ser salvo em algum momento não são, justamente, elementos para se voltar contra o "criador"?  permita-me ser justo com minha própria consciência neste momento e acrescentar a ideia de que, de fato, o que chamam de "fé" é uma variável discutível desta equação já que os sentimentos humanos são realmente únicos, pessoais e difícil de serem entendidos com precisão. Mas ainda que a fé exista e pese em favor dos crentes, ainda vejo que a maioria deles não é capaz de debater sobre religião e deus sem usar a tal fé como muleta e uma carta sem qualquer lógica para levar vantagem nesse debate.É o famoso "é assim, não tem explicação, você só sente sem questionar".

   Acho absolutamente válido crer em um criador, ser divino e coisas do tipo, até porque acho improvável que a vida humana, animal e vegetal, além do planeta, tenha surgido ao acaso. São organismos muito complexos e bem desenhados para funcionar e reagir ao ambiente. O que me chama a atenção é a comodidade em crer apenas por ter sido ensinado que é assim e não por ter pesquisado, refletido e chegado a conclusão de que faz sentido para si. Tudo isso também se aplica a consumo ("eu realmente preciso comprar isso?"), ter um carro ou filhos (é engraçado, são coisas parecidas, há um pensamento padrão de: "todo mundo tem eu tenho que ter também" e no caso da criança quase sempre são pessoas sem qualquer preparo para isso e que vão ferrar com a vida do filho) e outras coisas.

   Em uma experiência mais pessoal, observo pessoas que são tão burras que sequer sabem que são. Nunca se questionaram nada, não acreditam em evidências ("acredito no que quero acreditar, não na verdade comprovada por fatos, ciência, imagens ou vídeos") e, muitas vezes, isolados pela própria burrice, encontram outros burros e formam um grupo dos burros, orgulhosos por fazerem parte de um grupo (burro) sem imaginarem que, dentre as vontades inconscientes do ser humano, está a de pertencer em um grupo (mesmo que seja dos burros). Argumentar, debater, querer ajudar não vai resolver, só te desgastar mental e emocionalmente. Pare de tentar. 

   A bíblia, tão venerada, escrita por humanos, é também interpretada por humanos. O religioso que passa seus conhecimentos aos que o seguem, está passando suas próprias interpretações. Note, por exemplo, que a grande maioria dos fanáticos religiosos é homófobica e se esconde atrás do "tá na bíblia, não sou eu que estou dizendo", sendo que Jesus, o mestre, nunca disse nada sobre isso. Quem se posiciona contra a homoafetividade é Paulo. Há uma série de outras restrições na bíblia que são ignoradas, como consumo de carne de certos animais e aparar os pelos do corpo, por exemplo. Mas o pecado que os pastores, padres e religiosos tanto citam, é seletivo, nenhum deles fala contra a alimentação, usar tecidos diferentes ao mesmo tempo, como usar o cabelo ou o aparo dos pêlos, mas a homoafetividade sim, essa sim ESTÁ LÁ, é um pecado mortal e o MEU Deus está acima de tudo, inclusive de você que não acredita nele. 

    Nos países mais ricos o índice de religiosidade é significativamente menor do que nos mais pobres ou menos desenvolvidos, como o Brasil, já que a qualidade de vida é melhor e as pessoas não precisam suplicar por ajuda para adquirir um bem material ou em um momento difícil, já que estão relativamente amparadas pelo estado e por condiçõs socioeconômicas melhores. Toda essa religiosidade sustenta e propaga a imagem do Jesus mítico, uma invenção da igreja européia, que segue sendo extremamente lucrativa. O Jesus real, mortal, que não foi nada além de um homem com ideias revolucionárias para a época sofreu mudanças inclusive de cor de pele. Afinal, branco, dos olhos claros e cabelos lisos é a imagem perfeita. Deus mandou Maria e José irem ao Egito (África) para esconder o menino Jesus. Creio que não seja tão simples esconder uma criança branca no meio de africanos.

Quem precisa de uma religião que os diga o que é certo ou errado, moral ou imoral é alguém sem caráter.

   Eu sinto que há muito mas muito mais o que falar sobre todas essas coisas mas vou parar por aqui, muito por acreditar que a idiotice alheia dispense explicações, já que dois neurônios são mais que o bastante para enxergar a fragilidade e a pouca expertise da maioria das pessoas.Talvez eu escreva algo futuramente só sobre religião ou só sobre burros.

studio bordon